Educação financeira

Avalista ou fiador de empréstimo: riscos para o seu nome

Por Empréstimo para Negativado1 min de leitura
Mão assinando contrato com caneta sobre mesa de madeira

Assinar como avalista ou fiador parece um favor simples para um parente ou amigo. Na prática, você assume a dívida como se fosse sua: se a outra pessoa atrasar, o seu nome é negativado e seus bens podem ser cobrados. Veja o que está em jogo antes de assinar.

"É só uma assinatura, eu pago direitinho." Quase toda história de quem teve o nome sujo por dívida dos outros começa com essa frase. E quase sempre ela foi dita com sinceridade: ninguém pede um aval já planejando não pagar.

O problema é que a vida muda. Desemprego, doença, separação, um negócio que não deu certo. Quando o devedor principal deixa de pagar, o credor não precisa esperar nem pedir licença: vai atrás de quem assinou junto.

Antes de dizer sim, vale entender exatamente o que você está assumindo, qual a diferença entre ser avalista e ser fiador e o que pode acontecer com seu nome, seu crédito e seus bens.

Aval e fiança: parecidos, mas não iguais

O aval é uma garantia dada em títulos de crédito, como a cédula de crédito bancário usada em muitos empréstimos e financiamentos, ou uma nota promissória. O avalista assume uma obrigação própria e autônoma: o credor pode cobrar diretamente dele, sem precisar cobrar primeiro o devedor principal.

A fiança é uma garantia dada em contratos, sendo o exemplo mais conhecido o contrato de aluguel. Em tese, o fiador tem o chamado benefício de ordem, que é o direito de exigir que o credor cobre primeiro os bens do devedor. Mas quase todo contrato traz uma cláusula em que o fiador renuncia a esse benefício e se declara devedor solidário. Na prática, com essa cláusula, o fiador pode ser cobrado tão diretamente quanto o avalista.

Em ambos os casos, se você é casado, normalmente precisa da autorização do cônjuge para prestar aval ou fiança, exceto no regime de separação absoluta de bens. Isso existe justamente porque o risco atinge o patrimônio da família.

Se o banco pede um avalista para liberar seu próprio empréstimo, o guia de empréstimo no nome de outra pessoa mostra por que pedir a alguém para contratar por você é ainda mais arriscado.

O que acontece com o seu nome quando o devedor atrasa

Como coobrigado, você responde pela dívida. Se o devedor principal atrasar, o credor pode cobrar você e, cumpridas as regras de aviso, incluir o seu CPF nos cadastros de inadimplentes, como Serasa e SPC. Seu score cai mesmo que você nunca tenha atrasado uma conta própria.

Casal analisando contas e documentos na mesa da cozinha com expressão preocupada

Além da negativação, a garantia aparece no Sistema de Informações de Créditos do Banco Central como coobrigação. Bancos que consultam seu histórico podem ver que você é garantidor de outra dívida, o que pode reduzir o limite ou o crédito que oferecem a você, porque parte da sua capacidade de pagamento já está comprometida. Você pode conferir isso de graça pelo Registrato do Banco Central.

Se a cobrança vai para a Justiça, seus bens podem ser penhorados: conta bancária, veículo, imóveis. Há limites legais, como a proteção do bem de família, mas eles têm exceções importantes.

A mais conhecida: o imóvel residencial do fiador de contrato de aluguel pode ser penhorado. A Lei 8.009/1990 traz essa exceção expressamente, e o Supremo Tribunal Federal confirmou que ela vale tanto para locação residencial quanto comercial. Ou seja, ser fiador de aluguel pode custar a sua própria casa.

Paguei a dívida de outra pessoa: dá para recuperar?

Sim, em tese. Quem paga como avalista ou fiador tem direito de cobrar do devedor principal tudo o que pagou, com correção. É o chamado direito de regresso. Guarde todos os comprovantes, o contrato e as comunicações com o credor.

Na prática, porém, se o devedor não conseguiu pagar o banco, raramente terá dinheiro para pagar você logo. A cobrança pode exigir um processo e levar anos. Por isso, a pergunta certa antes de assinar não é "a pessoa é honesta?", mas "eu consigo pagar essa dívida inteira, sozinho, se for preciso?".

Se você já está sendo cobrado, não ignore. Converse com o credor, peça o valor atualizado e avalie um acordo. Dívida de garantia negociada cedo custa menos do que dívida com juros, multa e custas de processo. O guia de como negociar dívida em atraso e reduzir os juros se aplica igualmente a quem é avalista.

E converse com o devedor principal. Muitas vezes a pessoa está envergonhada e sumiu, mas um acordo conjunto, em que cada um paga uma parte, resolve mais rápido e preserva a relação.

Como se proteger e como sair de uma fiança

A primeira proteção é a mais simples: só assine se você teria condições de pagar a dívida inteira sem comprometer suas próprias contas. Se a resposta é não, a recusa é a ajuda mais honesta, para você e para quem pediu.

Homem estressado revisando documentos de uma dívida em casa

Se decidir assinar, leia o contrato inteiro, peça uma cópia, anote valor, prazo e parcelas, e combine com o devedor que ele avise imediatamente qualquer dificuldade. Peça também acesso para acompanhar os pagamentos. Saber do atraso no primeiro mês é muito diferente de descobrir pela negativação.

Fiança pode ter saída. Na fiança sem prazo determinado, o Código Civil permite ao fiador se exonerar mediante notificação ao credor, ficando ainda responsável por 60 dias após a notificação. No aluguel, quando o contrato vence e segue por prazo indeterminado, a Lei do Inquilinato permite ao fiador notificar o locador e continuar responsável por 120 dias. Durante esse prazo, o inquilino deve apresentar nova garantia.

Já o aval em um empréstimo com prazo e valor definidos não se desfaz por vontade do avalista: a garantia vale até a quitação. Nesse caso, o caminho é negociar com o devedor uma substituição de garantia ou uma quitação antecipada, que o banco precisa aceitar. Quem quer ajudar sem arriscar o próprio nome pode considerar outras formas, como ajudar a montar um plano para sair das dívidas em vez de assinar uma nova.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre avalista e fiador?

O aval é dado em títulos de crédito, como a cédula de crédito bancário, e o avalista pode ser cobrado diretamente. A fiança é dada em contratos, como o de aluguel; em tese o fiador pode exigir que o devedor seja cobrado primeiro, mas a maioria dos contratos traz a renúncia a esse direito.

O avalista pode ter o nome negativado?

Sim. Se o devedor principal atrasar, o credor pode cobrar o avalista e incluir o CPF dele nos cadastros de inadimplentes, mesmo que o avalista tenha todas as contas próprias em dia.

Fiador de aluguel pode perder a casa onde mora?

Pode. A Lei 8.009/1990 permite a penhora do imóvel residencial do fiador de contrato de locação, e o Supremo Tribunal Federal confirmou que isso vale para locação residencial e comercial.

Como deixar de ser fiador?

Na fiança sem prazo determinado, notificando o credor; o fiador continua responsável por 60 dias. No aluguel prorrogado por prazo indeterminado, a notificação ao locador mantém a responsabilidade por 120 dias.

Preciso da autorização do meu cônjuge para ser avalista?

Em regra, sim. O Código Civil exige autorização do cônjuge para prestar aval ou fiança, exceto no regime de separação absoluta de bens.

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