Renegociação de dívidas

Bloqueio judicial na conta por dívida: o que pode ser penhorado

Por Empréstimo para Negativado1 min de leitura
Pessoa assinando documentos em uma mesa ao lado de um martelo de juiz

O saldo sumiu e o extrato mostra bloqueio judicial. Veja de onde vem a ordem, o que a lei diz que não pode ser penhorado e o que fazer nos primeiros dias.

Quase sempre a descoberta é igual: a pessoa vai pagar uma conta, o cartão de débito é recusado e o aplicativo do banco mostra o saldo zerado, ou uma linha escrita "bloqueio judicial". Ninguém avisou antes. E a primeira reação, compreensível, é ligar para o banco, que não pode fazer nada.

Bloqueio judicial é diferente de negativação no Serasa ou de desconto feito pelo próprio banco. Ele só acontece quando existe um processo na Justiça cobrando uma dívida e o juiz manda buscar dinheiro nas suas contas. Entender isso muda o que você deve fazer, e o tempo conta.

De onde vem a ordem

O credor (um banco, uma financeira, um condomínio, uma empresa que comprou a dívida) entra com uma ação de cobrança ou de execução. Quando o processo chega à fase de pagamento e você não paga, o credor pede a penhora de valores. O juiz então envia a ordem pelo Sisbajud, o sistema que liga o Judiciário aos bancos.

O sistema localiza contas e aplicações no seu CPF e bloqueia até o valor da dívida. O bloqueio acontece sem aviso prévio de propósito: se o devedor fosse avisado, poderia sacar o dinheiro antes. Há ainda uma modalidade em que a ordem se repete automaticamente por alguns dias, pegando o que entrar na conta depois. Por isso tem gente que vê o salário ser bloqueado logo que cai.

Muitas vezes a pessoa nem sabia do processo, porque mudou de endereço e a citação não chegou. Isso pode ser discutido no próprio processo, com advogado.

O que a lei diz que não pode ser penhorado

O artigo 833 do Código de Processo Civil lista o que é impenhorável. Para dinheiro em conta, os itens mais importantes são dois.

Mulher preocupada falando ao telefone diante do notebook

Salários, aposentadorias, pensões e outros valores recebidos para o sustento da pessoa e da família. A exceção principal é a dívida de pensão alimentícia, que pode alcançar o salário, e a parte do salário que passe de 50 salários mínimos por mês.

Valores guardados em caderneta de poupança até 40 salários mínimos. Em várias decisões, o Superior Tribunal de Justiça estendeu essa proteção de até 40 salários mínimos a quantias guardadas em outras aplicações e até em conta corrente, quando funcionam como reserva da pessoa. Esse ponto depende do caso e do entendimento do juiz.

Vale um aviso honesto: os tribunais também já admitiram penhorar uma parte do salário em situações específicas, quando sobra o suficiente para a pessoa se manter. A impenhorabilidade é forte, mas não é absoluta, e cada caso é analisado.

O prazo de cinco dias

Depois do bloqueio, você é intimado e tem cinco dias para provar que o valor bloqueado é impenhorável ou que o bloqueio passou do valor da dívida. Isso está no artigo 854 do CPC. Passado o prazo sem manifestação, o dinheiro pode ser transferido para uma conta judicial e usado para pagar o credor.

Na prática, o que convence o juiz é documento. Separe o holerite ou o extrato do benefício do INSS, o extrato bancário mostrando que o dinheiro bloqueado entrou como salário ou aposentadoria, e o extrato da poupança, se for o caso.

Conta que mistura tudo é o problema mais comum. Se o salário cai na mesma conta em que entram Pix de vendas, transferências de parentes e dinheiro de bico, fica mais difícil provar o que é o quê. Quem consegue manter o salário numa conta separada facilita muito essa defesa.

O que fazer nos primeiros dias

Primeiro, descubra qual é o processo. O extrato ou o atendimento do banco costuma informar o número do processo e a vara. Se não informar, consulte pelo seu CPF nos sites dos tribunais. Este guia mostra onde consultar processos e protestos no CPF.

Segundo, procure um advogado ou, se não puder pagar, a Defensoria Pública do seu estado. O pedido de desbloqueio é feito dentro do processo, e o prazo é curto.

Terceiro, junte os documentos que provam a origem do dinheiro, como explicado acima.

E não tente "fugir" do bloqueio abrindo outra conta ou passando o salário para a conta de um parente. A ordem alcança todas as contas no seu CPF, e mover dinheiro para escondê-lo pode piorar sua situação no processo.

Negociar dentro do processo

Muita gente não sabe, mas dá para fazer acordo mesmo com processo andando e bloqueio feito. O credor geralmente prefere receber parcelado e com segurança a esperar anos por novas penhoras. O acordo é levado ao juiz, e o bloqueio pode ser liberado ou usado como entrada.

Casal analisando contas e documentos na mesa da cozinha

Antes de negociar, confira se a dívida não está prescrita e se os valores cobrados batem com o contrato. Este texto sobre prescrição de dívidas com banco explica os prazos. E veja como negociar uma dívida vencida há vários anos sem aceitar juros inflados.

Se a sua dúvida é sobre o banco descontar uma dívida dele mesmo da sua conta, sem processo, a situação é outra. Veja se o banco pode descontar dívida da conta-salário.

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Pessoa assinando documentos em uma mesa ao lado de um martelo de juiz
Pessoa assinando documentos em uma mesa ao lado de um martelo de juiz
Mulher preocupada falando ao telefone diante do notebook
Mulher preocupada falando ao telefone diante do notebook
Casal analisando contas e documentos na mesa da cozinha
Casal analisando contas e documentos na mesa da cozinha

Perguntas frequentes

O banco pode bloquear minha conta sem me avisar?

O bloqueio judicial é feito por ordem do juiz, sem aviso prévio, para evitar que o dinheiro seja sacado antes. Depois do bloqueio você é intimado e tem cinco dias para contestar. O banco apenas cumpre a ordem e não pode liberar o valor por conta própria.

Salário pode ser bloqueado por dívida?

Em regra, não. O CPC protege salário, aposentadoria e pensão, com exceção da dívida de pensão alimentícia e da parte acima de 50 salários mínimos. Mas os tribunais já admitiram penhorar parte do salário em casos específicos. Se o salário foi bloqueado, junte holerite e extratos e peça o desbloqueio no processo.

Poupança pode ser penhorada?

Valores em poupança até 40 salários mínimos são impenhoráveis pelo CPC. O STJ, em várias decisões, estendeu essa proteção a quantias equivalentes guardadas em outras aplicações ou em conta, quando servem de reserva, mas isso depende do caso.

Quanto tempo tenho para pedir o desbloqueio?

Cinco dias depois da intimação, conforme o artigo 854 do CPC. Procure um advogado ou a Defensoria Pública o quanto antes, porque depois do prazo o valor pode ser transferido para o credor.

Bloqueio judicial negativa o nome?

O bloqueio em si não é negativação. Mas a dívida que gerou o processo pode estar registrada no Serasa ou no SPC, e o processo pode aparecer em consultas de crédito mais completas.

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