Educação financeira

Natal no vermelho: como fazer as festas sem criar dívida nova em janeiro

Por Empréstimo para Negativado1 min de leitura
Família reunida em volta da mesa de Natal decorada

Dá para ter um Natal bonito mesmo com dívidas. O segredo é decidir o valor antes de entrar na loja e conversar com a família antes da pressão chegar.

Dezembro mexe com o coração e com o bolso. Tem presente para a família, amigo secreto do trabalho, ceia, confraternização, roupa nova e aquela vontade de compensar um ano difícil. Para quem já está endividado, é também o mês mais perigoso: as compras parceladas em dezembro vão ser pagas justamente em janeiro, fevereiro e março, quando chegam IPTU, IPVA e material escolar.

Não precisa escolher entre passar o Natal em branco e afundar mais. Dá para celebrar com o que cabe, desde que as decisões sejam tomadas antes, com calma, e não no caixa da loja.

Este guia traz um plano em cinco passos para atravessar as festas sem criar dívida nova, com ideias práticas para presentes, ceia e para a conversa com a família.

Passo 1: descubra quanto você realmente pode gastar

Antes de qualquer lista de presentes, olhe para os números. Some o que vai entrar em dezembro (salário, 13º, algum extra) e subtraia o que já está comprometido: contas fixas, parcelas de dívidas, acordos de renegociação e as despesas de janeiro que você já sabe que vêm.

O que sobrar é o seu teto para as festas. Se o resultado for zero ou negativo, o teto é zero, e tudo bem: o restante deste guia mostra como celebrar mesmo assim.

Se você ainda não tem um retrato claro das suas contas, o guia como descobrir o total de tudo que você deve ajuda a montar essa lista em uma tarde.

Passo 2: presentes com teto, e não com culpa

Com o teto definido, divida o valor entre as pessoas antes de sair de casa. Escrever "mãe: R$ 60, sobrinhos: R$ 30 cada" num papel parece pouco romântico, mas é o que impede o efeito "já que estou aqui".

Presentes coloridos embrulhados sob a árvore de Natal

Algumas ideias que funcionam bem com orçamento curto: amigo secreto em família no lugar de presente para todo mundo, presente coletivo dividido entre irmãos, presente feito em casa (doce, pão, cesta montada) e presente de tempo, como um dia de passeio ou ajuda numa tarefa.

Para crianças, uma lembrança simples com uma cartinha costuma marcar mais do que um brinquedo caro parcelado em dez vezes.

Passo 3: ceia dividida e sem desperdício

A ceia é onde o gasto escapa sem a gente perceber. A solução mais eficiente é a ceia colaborativa: cada família leva um prato, combinado com antecedência para não sobrar sobremesa e faltar comida principal.

Planeje o cardápio pelo número real de pessoas, compre os itens que não estragam com antecedência e deixe para a última semana só o que é perecível. Pesquise preços em mais de um mercado e prefira as versões que cabem no orçamento: frango assado ou pernil podem substituir carnes mais caras sem deixar ninguém triste.

E pense nas sobras: o que foi feito para o dia 24 pode virar o almoço do dia 25.

Passo 4: cuidado com as armadilhas de dezembro

Parcelamento sem juros parece inofensivo, mas soma. Cinco compras de R$ 300 em 10 vezes viram R$ 150 por mês de parcelas novas durante quase todo o ano que vem. Antes de parcelar, some todas as parcelas que já existem e veja se a nova cabe.

Casal preocupado analisando contas na mesa da cozinha

O rotativo do cartão é a armadilha mais cara. Se a fatura de janeiro não puder ser paga inteira, ela entra num dos créditos mais caros do país. O guia rotativo do cartão de crédito: por que ele é tão caro mostra o tamanho do problema.

Empréstimo para gastar nas festas também não costuma compensar, e a antecipação do 13º para consumo tem o mesmo problema: você começa janeiro sem dinheiro. Por fim, cuidado com promoções de última hora e golpes de falsas lojas e falsos boletos, que se multiplicam no fim do ano.

Passo 5: a conversa com a família

Muita gente gasta o que não tem por vergonha de dizer que o ano foi difícil. Uma conversa curta, feita antes de dezembro, tira esse peso: "Este ano vou fazer um Natal mais simples para organizar as contas. Que tal amigo secreto com valor combinado?"

É comum descobrir que outras pessoas da família estavam pensando a mesma coisa. E, se alguém não entender, lembre que começar o ano sem dívida nova é um presente para você e para quem depende de você.

Se o 13º vai entrar e você tem dívidas, vale separar parte dele para negociar. O guia qual dívida pagar primeiro quando o dinheiro não dá para todas ajuda a escolher.

Imagens

Família reunida em volta da mesa de Natal decorada
Família reunida em volta da mesa de Natal decorada
Assuntos:orcamentodividasnatal

Perguntas frequentes

Vale a pena usar o 13º para os presentes?

Só a parte que sobra depois de reservar as contas de janeiro e, se você tem dívidas caras, depois de separar um valor para negociar. Gastar todo o 13º em dezembro costuma levar a dívida nova no começo do ano.

Parcelar presente sem juros é um problema?

O problema é a soma. Várias compras parceladas criam parcelas que vão ocupar o orçamento por meses. Antes de parcelar, some todas as parcelas que você já tem e veja se a nova cabe com folga.

Como dizer à família que não vou dar presentes este ano?

Seja direto e proponha uma alternativa, como amigo secreto com valor combinado ou presente coletivo. Fazer isso antes de dezembro evita a pressão de última hora.

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